Fisiologia —Prof. Atiliano Fisiologia —

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Fisiologia

Publicado em 3 de setembro de 2014

Fisiologia

A fisiologia (do grego physis = natureza e logos = estudo) é o campo da biologia dedicado à interação das diversas aplicações e funções físicas e químicas, considerando o tempo geológico como fator preponderante no surgimento e ocorrências biológicas (conformação de uma característica adaptada / selecionada), para compreensão dos seres vivos, ou seja, o funcionamento dos organismos.

Trata-se de um suporte físicoquímico mais simplista, empregado para nível didático no esclarescimento dos aspectos vitais que norteiam o metabolismo dos animais (Reino Animália) e vegetais (Reino Metáphita), com extensão aos demais seres (Reinos: Monera, Fungi, Protista e também aos vírus).

De forma geral, a fisiologia aborda assuntos relacionados à nutriçao, circulação, respiração, excreção, ao sistemas de integração aos movimentos corporais, suporte e movimentos corporais, controle imunitário e reprodução, ao logo da história evolutiva.

Atualmente, importantes pesquisas envolvendo a fisiologia ganham considerável destaque, principalmente nos setores realacionados à biomecânica, bioquímica e farmacologia.

Choque circulatório

O choque circulatório é uma falha do sistema circulatório em levar oxigênio para os tecidos do corpo, causando sequelas e podendo, às vezes, causar a morte.

O choque circulatório é uma síndrome clínica caracterizada pela deficiência do sistema circulatório em levar oxigênio para os tecidos, causando a hipóxia celular. A hipóxia celular causa a morte das células e a consequente morte dos tecidos. Quando há morte dos tecidos, há a morte dos órgãos.

Existem três tipos de choque: o choque hipovolêmico, choque séptico e choque cardiogênico.

No choque hipovolêmico ocorre uma diminuição na quantidade de sangue circulante por hemorragia externa ou interna, queimaduras, desidratação, peritonite, gastroenterites, obstrução e torsão intestinal. É o tipo de choque mais frequente.

No choque séptico ocorre multiplicação de bactérias no sangue, fazendo com que a pressão sanguínea caia, apesar da quantidade adequada de sangue. É causado por infecções bacterianas graves e anafilaxia.

No choque cardiogênico ocorre diminuição da função cardíaca, com consequente dificuldade em manter a pressão sanguínea. É causado por arritmias, infarto do miocárdio, miocardite e embolia pulmonar.

O choque circulatório é um estado grave que não apresenta sintomas específicos, sendo sentido pelo paciente como ansiedade ou taquicardia. À medida que o quadro avança, o paciente apresenta palidez, lábios e olhos sem sinal de sangue. Se o tratamento não for iniciado, o choque pode levar a pressão arterial a zero, com a frequência cardíaca em torno de 180 batimentos por minuto. Quando atinge choque circulatório profundo, o paciente fica frio, inconsciente e com sinais de que está à beira da morte. A falta de oxigenação dos tecidos causa danos a vários órgãos, principalmente ao cérebro, rins, coração e sistema gastrointestinal. Pacientes que se recuperam de choques circulatórios ficam com disfunções ou danos irreversíveis nesses órgãos, necessitando de hemodiálise e ventilação mecânica.

Geralmente o diagnóstico de choque circulatório é feito apertando-se os dedos dos pés até que fiquem brancos. Se o sangue não voltar em 3 segundos, o choque circulatório é um provável diagnóstico.

Para o tratamento de choque circulatório, o médico pode prescrever reposição de líquidos e medicamentos para aumentar a pressão arterial. Em casos de choque séptico, o tratamento é feito com antibióticos.

Ciclo mentrual

A cada 28 dias, aproximadamente, o organismo da mulher se prepara para uma possível fecundação, produzindo óvulos e desenvolvendo a parede do útero para receber um futuro embrião. Havendo fecundação, este se implantará e desenvolverá nesta região. Caso contrário, o endométrio descama, sendo eliminado pela vagina, tal evento é chamado de menstruação, a qual dura em média cinco dias.

O período entre o início de uma e o início da próxima menstruação é denominado ciclo menstrual, controlado, principalmente, pelos hormônios FSH e LH.

Na primeira metade do ciclo menstrual, um folículo é estimulado pelo FSH, cresce e produz estrógenos. Estes últimos inibem o FSH e LH. O folículo ovariano e o endométrio aumentam de tamanho. Aproximadamente no meio do ciclo, a hipófise é estimulada a promover a secreção de FSH e LH e, estimulado por estes, o folículo se rompe, liberando o gameta feminino (óvulo). Tal fenômeno biológico é chamado de ovulação.

Esta ocorre aproximadamente 15 dias antes da próxima menstruação e o óvulo pode ser fecundado entre 24 e 36 horas após ser liberado.

A taxa de estrogênio cai e o folículo rompido se desenvolve, estimulado pelo LH, e se transforma em corpo lúteo (ou amarelo). O corpo amarelo secreta estrógeno e progesterona, permitindo que o endométrio se torne espesso, rico em vasos e em secreções nutritivas, a fim de suprir as necessidades do embrião.

Ocorrendo a fecundação, a placenta produz o HCG, um hormônio que impede com que ocorra uma outra ovulação e evita, também, a descamação do endométrio, mantendo constante a ação do corpo lúteo.

Não ocorrendo fecundação, as altas concentrações de progesterona diminuem a secreção de FSH e LH, fazendo o corpo lúteo regredir e isso faz com que diminua a concentração de estrogênio e progesterona, provocando a menstruação.

Coordenação Motora

Nosso corpo se mantém em equilíbrio, e graças a isso conseguimos desenvolver movimentos, sejam eles bruscos ou delicados. A essa capacidade de realizar esses movimentos chamamos de coordenação motora.

Nosso cérebro manda informações às partes de nosso corpo, e a capacidade que o corpo tem de desenvolver aquele movimento nós chamamos de coordenação motora. Pular, correr, andar, saltar ou realizar tarefas que exijam maior habilidade, como pegar em um lápis, bordar, desenhar, recortar, tudo isso exige de nós coordenação motora. A coordenação motora nos permite realizar os mais diversos movimentos coordenados. Na coordenação motora ocorre participação de alguns sistemas do corpo humano, como sistema muscular, sistema esquelético e sistema sensorial. Com a interação desses sistemas obtêm-se reações e ações equilibradas. A velocidade e a agilidade com que a pessoa responde a certos estímulos medem a sua capacidade motora.

Podemos classificar a coordenação motora de duas maneiras: coordenação motora grossa e a coordenação motora fina.

Na coordenação motora grossa verificamos o uso de grupos de músculos maiores e o desenvolvimento de habilidades como correr, pular, chutar, subir e descer escadas, que podem ser desenvolvidas a partir de um plano sistemático de exercícios e atividades esportivas. Quando se tem déficit nessas habilidades, verificamos dificuldades, por parte principalmente de crianças, em praticar atividades esportivas, o que acaba gerando baixa autoestima.

Na coordenação motora fina verificamos o uso de músculos pequenos, como das mãos e dos pés. Ao desenhar, pintar, manusear pequenos objetos, a criança realiza movimentos mais precisos, delicados, e desenvolve habilidades que a acompanharão por toda a vida.

É possível observar a coordenação motora de um indivíduo desde pequeno. A criança responde aos estímulos de várias formas e cabe ao professor, nas primeiras séries, trabalhar a motricidade da criança. Ao aprender a pintar dentro de espaços delimitados a criança já começa a desenvolver sua coordenação, à medida que ela for sendo alfabetizada, aumentará a sua capacidade motora.

Mas não é somente em crianças que se desenvolve a motricidade. Em pessoas idosas ou pessoas que tenham certas limitações físicas, também é preciso trabalhar a coordenação motora. Com o auxílio do profissional a pessoa desenvolve os grupos musculares e exercita o cérebro, para conseguir manter o equilíbrio e realizar atividades que requerem movimentos precisos, fortes e rápidos.

Dor

A dor é detectada por nociceptores e transmitidas ao SNC por meio de fibras nervosas. A dor pode receber diferentes classificações, que variam de acordo com a origem do problema.

A dor é uma sensação ruim que sentimos quando algo de errado está acontecendo com o nosso corpo. Por meio de células especiais chamadas de nociceptores, a dor é detectada e transmitida através de fibras nervosas até o SNC (sistema nervoso central). Para que os nociceptores sejam ativados, eles precisam ser estimulados, e esses estímulos podem ser elétricos, químicos, térmicos ou mecânicos. Em todas as partes de nosso corpo existem nociceptores, mas em nosso cérebro não há nenhum.

O nosso cérebro não é capaz de sentir dor. A explicação para isso seria que o nosso cérebro é um órgão fundamental para a vida do organismo, e que a sensação de dor poderia levá-lo à morte. A membrana que recobre o cérebro (meninge) é repleta de nociceptores, e ela sim é capaz de sentir dor.

Podemos classificar as dores como:

Aguda ? manifesta-se por um período de tempo curto, menos de 1 mês, e é facilmente identificada. Funciona para o corpo como um sinal de alerta para inflamações, lesões, doenças, como cólicas menstruais e extração de dentes.

Crônica ? manifesta-se por um período de tempo muito longo, mais de 3 meses, e pode debilitar, exigindo maior atenção por parte de quem a está sentindo. Artrite, gota, câncer são exemplos de doenças que causam esse tipo de dor.

Cutâneas ? localizadas e de curta duração, como queimaduras de primeiro grau e cortes superficiais.

Somática ? tem origem em ligamentos, ossos, tendões. Essas regiões não possuem muitos nociceptores, o que gera uma dor mal localizada e de longa duração. Por exemplo: braço quebrado, torsão no tornozelo.

Visceral ? localizada em órgãos e cavidades internas do corpo, e que possuem poucos nociceptores. Sensação intensa de dor, mas difícil de localizar. Muitas vezes o paciente sente dores em regiões totalmente diferentes do verdadeiro local da lesão. No ataque cardíaco a pessoa pode sentir dores nos ombros, estômago, braços, por exemplo.
Para as pessoas que sentem dor, a indústria farmacêutica disponibiliza no mercado diversos tipos de analgésicos. Esses remédios aliviam ou bloqueiam as dores antes que os sinais cheguem até o SNC.

Há vários tipos de dores: dores de cabeça, dores nas pernas, nas costas, de garganta, e todas devem ser diagnosticadas e tratadas por um médico. Não devemos tomar remédios sem prescrição médica, pois com a automedicação podemos piorar o quadro da doença, além de desencadear outros problemas.

Espermatozóide

O espermatozoide é o gameta masculino que foi produzido durante a espermatogênese que ocorre nas gônadas masculinas.

Os espermatozoides são gametas masculinos produzidos durante a espermatogênese que ocorre nos testículos. Células leves e móveis, os espermatozoides se desenvolvem a partir das espermátides e se movimentam em direção ao óvulo com uma velocidade de 1mm/min a 4mm/min em média. Os espermatozoides são dotados de cabeça, colo ou peça intermediária, e cauda ou flagelo.

A cabeça do espermatozoide tem forma oval e é quase totalmente ocupada pelo núcleo, composto de cromossomos paternos. Na parte superior da cabeça há o acrossoma, oriundo da junção de vesículas do aparelho de Golgi e que consiste em uma bolsa cheia de enzimas com a função de facilitar a penetração do espermatozoide no óvulo durante a fecundação.

O colo, também chamado de peça intermediária, contém mitocôndrias que produzem o trifosfato de adenosina (ATP), essencial para o movimento dos flagelos. Já a cauda ou flagelo desenvolve-se a partir do centríolo e tem a função de impulsionar o espermatozoide pelo aparelho reprodutor feminino.

Os espermatozoides ficam mergulhados em um fluido produzido pelas glândulas seminais e pela próstata. Esse fluido é nutritivo para os espermatozoides e é expulso do corpo no momento da ejaculação. Uma vez no sistema reprodutor feminino, os espermatozoides conseguem fecundar um óvulo no período de 48 a 72h.

Nos mamíferos, a membrana plasmática dos espermatozoides possui proteínas chamadas de fertilizinas. É através dessas proteínas que o espermatozoide consegue se ligar às proteínas receptoras presentes na membrana do óvulo. Quando as proteínas dos dois gametas se associam, ocorre uma fusão entre elas que causa alteração na permeabilidade da membrana ovular aos íons Na+ e K+, promovendo despolarização de toda a superfície do óvulo. Essa alteração na superfície da membrana ovular impede a penetração de outros espermatozoides, garantindo que apenas um espermatozoide fecunde o óvulo.

Evolução da respiração

A respiração é um processo muito importante para a vida no planeta, à medida que os organismos vivos foram evoluindo, foram desenvolvendo novas formas de respiração.

Acredita-se que o Planeta Terra tenha se formado há aproximadamente 4,6 bilhões de anos, e que a composição da atmosfera era totalmente diferente da que vemos atualmente. Segundo Oparin e Haldane, que elaboraram uma das teorias sobre a origem da vida, descargas elétricas provenientes de tempestades e raios ultravioletas do sol teriam fornecido energia para as reações químicas entre as moléculas da atmosfera, originando substâncias orgânicas simples, como os aminoácidos e glicídios. Ainda segundo Oparin e Haldane, essas substâncias simples teriam sofrido várias transformações até originarem seres vivos semelhantes aos procariontes que conhecemos atualmente.

Deduz-se que o primeiro ser vivo que habitou a Terra conseguia sobreviver através da absorção de moléculas simples que se encontravam dissolvidas na água, e como não havia oxigênio na atmosfera, esses organismos deveriam conseguir energia através da fermentação.

À medida que o tempo passou, as condições na Terra e os seres vivos se modificaram, surgindo então organismos autotróficos capazes de realizar a fotossíntese utilizando inicialmente o gás carbônico e o gás sulfídrico, processo realizado ainda hoje por bactérias conhecidas como sulfobactérias. Há mais ou menos três bilhões de anos surgiram bactérias capazes de utilizar a água ao invés de gás sulfídrico na realização da fotossíntese, e pelo fato de a Terra ter grande disponibilidade de água, essas bactérias se espalharam por todo o planeta, causando uma proliferação tão grande que a concentração de oxigênio na atmosfera aumentou consideravelmente, causando um grande impacto no ambiente.

Com a alta concentração de oxigênio na atmosfera, muitos organismos se extinguiram, pois não tinham o organismo desenvolvido para aproveitar esse gás. Com o decorrer do tempo, muitos seres vivos passaram por diversas mutações e foram surgindo organismos capazes de utilizar o oxigênio da atmosfera pela respiração aeróbia. Por esse tipo de respiração produzir mais energia que a fermentação, esse processo foi vantajoso e se espalhou, fazendo aumentar a população de heterótrofos.

Formação de uma pérola

A formação de uma pérola, também denominada de margarita, ocorre em razão da penetração de substâncias, partículas (areia) ou microrganismos (vermes) entre a concha e o manto de algumas espécies de ostras.

Em resposta ao corpo estranho, o manto secreta uma série de camadas de nácar ou madrepérola, substância composta por pectatos de carbonato de cálcio na forma de cristais de aragonita, desempenhando um mecanismo de defesa do organismo. Naturalmente esse processo confere brilho à superfície da concha, e da mesma forma à pérola, que não necessita de lapidação ou polimento.

As pérolas cultivadas são produzidas inserindo, artificialmente, em outras produtoras de pérolas, uma pequena esfera envolta por um fragmento do manto extraído de uma ostra jovem.

Por aplicação dessa técnica, uma pérola demora em média três anos para se formar. Os japoneses são os pioneiros no cultivo desses moluscos, as ostras das espécies: Pinctada imbricata, Pinctada máxima e a Pinctada margaritifera, produzem pérolas de coloração creme, amareladas esverdeadas ou negras, com diâmetro variando de 2 a 17 mm.

Gonadotrofina Coriônica humana (hCG)

A Gonadotrofina Coriônica humana (hCG) é um hormônio produzido pela placenta que impede a destruição do corpo lúteo e estimula a produção de esteroides.

A Gonadotrofina Coriônica humana é um hormônio glicoproteico, conhecido comumente como hCG, que é produzido pela placenta durante a gestação. Esse hormônio é exclusivo da gravidez e por isso é usado para a confirmação de tal condição. Entretanto, em algumas doenças, tais como mola hidatiforme e coriocarcinoma, o hCG também é produzido. Além disso, ele é um importante indicador de tumores testiculares.

O hCG possui características estruturais que o tornam semelhante ao FSH, LH e TSH, uma vez que é formado por duas subunidades, a chamada cadeia a e cadeia ß. A cadeia a é bastante semelhante nesses quatro hormônios, diferentemente da cadeia ß, que confere especificidade.

A função fisiológica do hCG é manter o corpo lúteo durante o início da gestação, aproximadamente por 10 semanas, e estimular a produção de esteroides. Com isso, impede-se que ocorra a perda do endométrio e haja o fim da gravidez. Sua produção começa no momento em que ocorre a implantação e possui seu pico quando a gestação completa nove semanas. É possível observar o hormônio no sangue da paciente em aproximadamente sete dias após o dia da concepção. Após o pico do hCG, os valores tendem a cair progressivamente até desaparecerem por completo um mês após o parto.

A dosagem sérica do ß-hCG é um dos métodos mais sensíveis para confirmar e observar a viabilidade de uma gestação e o que deve ser feito em casos de Doença Trofoblástica Gestacional, como a mola hidatiforme. O ß-hCG também pode ser observado na urina, entretanto, nesses casos, geralmente o objetivo não é verificar a quantidade do hormônio, e sim a sua presença, como nos casos de confirmação de uma gravidez.

É importante destacar que algumas vezes o exame de gravidez pode ser negativo, em razão da idade gestacional ser muito baixa. Se os sintomas da gravidez mantiverem-se, pode-se fazer um novo exame a fim de dosar o hormônio, uma vez que no início da gestação os valores de ß-hCG duplicam a cada 48 horas.

Em casos de gravidez ectópica, os valores de ß-hCG tendem a ser mais baixos quando comparados com gestações normais, tendo um aumento pequeno no período de dois dias. Em casos de doença trofoblástica gestacional, o quadro que se observa é de valores muito elevados quando comparados a uma gravidez normal.

O hCG pode ser vendido como fármaco para ser usado no tratamento de algumas doenças, como em casos de infertilidade feminina, criptorquidismo, hipogonadismo hipogonadotrófico e puberdade tardia.

Curiosidade: Você já ouviu falar da dieta do hCG? Apesar de bastante difundida, não há evidências científicas de que o hCG tenha alguma ação no metabolismo de lipídios ou que seja um controlador de apetite, sendo assim, não é indicado em tratamento contra perda de peso.

Hemocromatose

A hemocromatose é o acúmulo de ferro que ocorre no organismo de algumas pessoas, podendo ser de natureza hereditária ou adquirida.

A hemocromatose é uma condição na qual ocorre o acúmulo de ferro nos tecidos do indivíduo, em razão do seu excesso no organismo. A hemocromatose pode ser uma doença hereditária (hemocromatose hereditária primária) ou adquirida (também chamada de secundária, provocada por algumas situações como anemia crônica, transfusões sanguíneas, dieta excessiva de ferro, etc.).

O ferro é um mineral essencial para todos os seres vivos, e em condições normais uma pessoa apresenta cerca de três gramas de ferro em seu organismo. Nas pessoas portadoras de hemocromatose, a absorção de ferro pela mucosa intestinal é de 4mg/dia, ou mais, com consequente acúmulo de ferro nas células, o que resulta em lesão nos tecidos, comprometendo a função de alguns órgãos e glândulas.

O excesso de ferro no organismo pode provocar ferrugem nos órgãos, causando consequências diferentes para cada órgão do corpo. No fígado, esse excesso de ferro pode causar cirrose, fibrose e até câncer; no pâncreas pode causar diabetes; no coração pode causar cardiopatias; nas juntas pode causar artrite; nas glândulas pode causar o mau funcionamento e problemas na produção hormonal; entre outros órgãos que podem ser afetados e podem ter seu funcionamento comprometido.

Geralmente o fígado é o primeiro órgão a ser comprometido, com seu consequente aumento, evoluindo para esteatose (gordura no fígado), fibrose (endurecimento), cirrose e hepatocarcinoma (tumor maligno).

Quase todos os portadores de hemocromatose apresentam pigmentação da pele com aparência cinza-azulada ou metálica, em virtude do aumento do ferro nas células da epiderme.

Os sintomas dos portadores de hemocromatose dependem da quantidade de ferro acumulado no organismo da pessoa, sendo que nos primeiros anos pode não haver qualquer sintoma ou sinal específico. À medida que o acúmulo de ferro se torna elevado, começam a aparecer alguns sintomas inespecíficos, como fadiga, fraqueza, dor abdominal, perda de peso, impotência, amenorreia nas mulheres, dores nas juntas, entre outros. Por serem sintomas diversos, que podem estar relacionados a outros problemas clínicos, a melhor forma de se detectar a hemocromatose são exames de sangue na hora dos check-ups.

O diagnóstico da hemocromatose é feito em exames de sangue que medem os níveis de ferritina e a saturação de ferro. “Com base no resultado do exame de sangue, todo paciente com ferritina ou saturação de ferro alta, mesmo com resultados negativos, deve ser investigado”, explica o Dr. Nelson Hamerschlak, coordenador do Programa de Hematologia e Transplantes de Medula óssea do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).

O tratamento mais comum para a hemocromatose é a sangria terapêutica, também chamada de flebotomia, que consiste na retirada periódica do sangue (uma a duas vezes por semana). Nesse tratamento, com a retirada do sangue, ocorre o deslocamento do ferro depositado nos tecidos, havendo, assim, a formação de novas moléculas de hemoglobina, até que não haja mais excesso de ferro no organismo. A quantidade de sangue retirada depende de alguns fatores como quantidade de ferro acumulada, físico do paciente, entre outros.

Os médicos recomendam que os portadores de hemocromatose parem de consumir alimentos ricos em ferro (como a carne vermelha e folhas verde-escuras) e alimentos ricos em vitamina C. É bom que tais pessoas evitem consumir frutos do mar crus ou mal cozidos, pois eles podem transmitir um microrganismo que causa graves intoxicações em pessoas portadoras de hemocromatose. A ingestão de alimentos ricos em cálcio é importante, pois eles diminuem a absorção de ferro dos alimentos.

Quando não tratada, a hemocromatose causa sobrecarga de ferro, e os órgãos mais comprometidos são fígado, pâncreas e coração, podendo ocasionar situações graves, como insuficiência hepática, carcinoma hepatocelular (câncer de fígado), diabetes e arritmias cardíacas.

Hormônio Antidiurético

O hormônio antidiurético, também denominado de ADH ou vasopressina, é produzido na glândula hipotálamo e secretado pela neuro-hipófise.

Atua sobre os rins, aumentando a retenção de água pelo corpo e a concentração de íons e, consequentemente, elevando a pressão arterial.

A deficiência de ADH leva ao quadro clínico conhecido como diabete insípida. Ocorrendo o contrário quando estimulada a sua produção, geralmente acometendo pessoas com insuficiências cardíacas, afetando os receptores hormonais superestimulados.

Essa síndrome é conhecida como secreção inadequada de ADH ou simplesmente de SIHAD. Em raros casos pode também ser produzida por uma doença do hipotálamo, gerando um tumor.

Hormônios masculinos

Os hormônios masculinos são produzidos nos testículos, mas o principal hormônio é a testosterona, responsável pelas características secundárias masculinas.

Na adolescência ocorrem muitas mudanças psicológicas e fisiológicas no corpo dos meninos e elas são controladas por dois hormônios produzidos pela adeno-hipófise: o hormônio folículo-estimulante (FSH) e o hormônio luteinizante (LH). Esses hormônios também podem ser chamados de gonadotrofinas porque atuam sobre as gônadas (nesse caso, os testículos, que estimulam seu funcionamento e desenvolvimento).

No homem, o principal hormônio sexual é a testosterona, produzida pelas células intersticiais do testículo, também chamadas de células de Leydig. O responsável por estimular a produção desse hormônio é o LH, também chamado no homem de hormônio estimulador das células intersticiais (ICSH).

A testosterona é um hormônio produzido ainda na fase embrionária e a sua presença no embrião é que determinará o desenvolvimento dos órgãos sexuais masculinos. A determinação do sexo se dá na fase embrionária, quando há ausência de testosterona, ou até mesmo a falta de células-alvo nas células do embrião.

O hormônio ICSH estimula a célula intersticial do testículo a produzir testosterona, que reforça a ação do hormônio FSH durante a espermatogênese e determina o aparecimento das características sexuais secundárias masculinas, como barba, pelos (com distribuição diferente em relação ao corpo das mulheres), engrossamento da voz, maior desenvolvimento da musculatura e dos ossos.

A testosterona é também o hormônio responsável pelo desenvolvimento dos órgãos genitais, descida dos testículos para a bolsa escrotal, além de promover o impulso sexual.

Insulina e Glucagon

O pâncreas é uma glândula mista (anfícrina), com função secretora endócrina e exócrina. Sua porção endócrina é formada por um conjunto de células (ilhotas de Langerhans) especializadas na secreção dos hormônios insulina e glucagon.

Neste aglomerado de células, existe uma distinção, tendo o pâncreas uma região de células betas, responsáveis pela produção de insulina e outra região de células alfas, produtoras de glucagon, lançados na corrente sanguínea.

Esses dois hormônios possuem efeitos antagônicos, ou seja, atividade fisiológica inversa.

Enquanto a insulina tem sua atuação voltada para a absorção de glicose pelas células do fígado, músculos esqueléticos e tecido adiposo, diminuindo sua concentração em razão da retirada de glicose do sangue. o glucagon, com atividade estimulante oposta, faz aumentar o teor de glicose na corrente sanguínea a partir da quebra do glicogênio (substância de reserva energética).

Desta forma, conforme a necessidade do organismo, o pâncreas é requisitado a secretar insulina ou glucagon, dependendo da atividade metabólica a ser desenvolvida, utilizando energia das ligações químicas liberadas pelo catabolismo da glicose durante a respiração celular ou processo de fermentação lática.

Fatores genéticos transcricionais, bem como fatores ambientais relacionados ao estilo de vida das pessoas (obesidade, sedentarismo e infecções), provocam distúrbios na síntese desses hormônios, comprometem o organismo causando Diabetes Mellitus tipo I ou tipo II, desregulando a taxa de glicose no sangue.

Prolactina

A prolactina (símbolo PRL) é um hormônio lactogênico de base proteica, produzida pela glândula adeno-hipófise (lóbulo anterior da hipófise), tendo sua regulação controlada pelo hipotálamo, região do cérebro responsável pelo intercâmbio do sistema nervoso com o sistema endócrino.

Esse hormônio, efetor sobre as gônadas ovarianas e glândulas mamárias femininas, estimula a secreção de progesterona, promovendo reações cruciais durante o período fértil e gestacional. Sendo o auge de sua produção durante a gravidez, continuada após o parto em consequência ao aleitamento (sucção). Isso porque esse hormônio induz a produção de leite pela mama, bem como a sua secreção.

Contudo, a síntese demasiada de prolactina provoca um estado de hiperprolactinemia, causando alterações drásticas no ciclo menstrual e até mesmo infertilidade.

Relógio Biológico
Manter o relógio biológico sincronizado é fundamental para preservar a saúde e a qualidade de vida.

O relógio biológico é um mecanismo regido pela sequência das horas do dia, que está presente em todos os seres vivos, regulando todas as atividades do organismo. A região que controla os ritmos biológicos, que são de 24 horas, é o hipotálamo anterior, e são esses ritmos biológicos, chamados de ciclos circadianos, que regulam os horários de dormir, acordar, comer, dentre outras atividades como esvaziar a bexiga, o intestino, e também a produzir hormônios como o cortisol, a melatonina e o hormônio do crescimento.

Os genes envolvidos nesse processo já foram descritos, e ele explicam porque algumas pessoas preferem acordar e dormir cedo, funcionando melhor nas primeiras horas do dia, enquanto outras funcionam melhor à noite, e como consequência acabam se deitando e levantando mais tarde.

Cientistas afirmam que a luz é o principal ativador do relógio biológico e, dessa forma, o nosso corpo está preparado para a vigília durante o dia e o repouso à noite. Pessoas que ficam acordadas e expostas à luz durante a noite forçam seu organismo a alterarem o seu ciclo natural, regido pelos ciclos circadianos, e na maioria das vezes não conseguem modificar esses hábitos. Essas mudanças que afetam os ciclos biológicos provocam uma dessincronização entre o relógio interno e os indicadores temporais externos, sendo necessário um tempo para a pessoa conseguir se readaptar às condições ambientais.

Para gozar de uma boa saúde é fundamental que o nosso relógio biológico permaneça sincronizado. A hora do descanso, especialmente do sono e do repouso semanal, é importantíssima para manter as funções biológicas no ritmo certo. Uma rotina irregular pode, em longo prazo, desregular as funções biológicas e colocar o corpo sob situação de estresse, com efeitos muito desagradáveis.

Pesquisas médicas comprovaram que além do ritmo circadiano, que obedece às 24 horas do dia, o nosso corpo também obedece a um ciclo semanal, também chamado de ciclo septadiano. Dessa forma, pessoas que trabalham sete dias por semana sem nenhum tipo de descanso pagam um alto preço.

Especialistas acreditam que esse ritmo biológico muda conforme a espécie, para que cada uma delas explore um horário diferente do dia. Um estudo recente feito na Universidade de Osaka, no Japão, comprovou que espécies animais com exatas 24 horas tendem a ter menos sucesso evolutivo, pois ao saírem todas juntas para caçar, formam os “horários de rush”, no qual a comida fica mais escassa.

Sistema imunológico humano

O sistema imunológico, através de células específicas, atua no processo de defesa do organismo contra invasores, tais como microrganismos ou substâncias nocivas.

O sistema imunológico humano (ou sistema imune, ou ainda imunitário) consiste numa rede de células, tecidos e órgãos que atuam na defesa do organismo contra o ataque de invasores externos. Estes invasores podem ser microrganismos (bactérias, fungos, protozoários ou vírus) ou agentes nocivos, como substâncias tóxicas (ex. veneno de animais peçonhentos). As substâncias estranhas ao corpo são genericamente chamadas de antígeno. Os antígenos são combatidos por substâncias produzidas pelo sistema imune, de natureza proteica, denominadas anticorpos, que reagem de forma específica com os antígenos.

Quando o sistema imune não consegue combater os invasores de forma eficaz, o corpo pode reagir com doenças, infecções ou alergias.

A defesa corporal é realizada por um grupo de células específicas que atuam no processo de detecção do agente invasor, no seu combate e total destruição. Todo este processo é denominado de resposta imune.

As células do sistema imune pertencem a dois grupos principais, os linfócitos e os macrófagos. Veja abaixo as células principais desse sistema e as principais funções de cada uma delas:

Macrófagos – são importantes na regulação da resposta imune. Estão presentes nos tecidos conjuntivos e no sangue (quando são chamados de monócitos) e, no sistema imune, possui a função de detectar e fagocitar (processo que engloba e digere substâncias no organismo) microrganismos invasores, células mortas e vários tipos de resíduos. Essas células são as primeiras a perceber a presença de agentes invasores.

Linfócitos – essas células, presentes no sangue, são um tipo de leucócito (glóbulo branco) e podem ser de três tipos principais:

Linfócitos B – a principal função desse tipo celular é a produção de anticorpos, quando maduros e ativos. Nesta fase são denominados plasmócitos.

Linfócitos T auxiliadores (CD4) – através de informações recebidas pelos macrófagos, são estimuladas a ativar outros tipos de linfócito T, os linfócitos T matadores (CD8) e os linfócitos B. São os linfócitos auxiliadores os responsáveis por comandar a defesa do organismo.

Linfócitos T matadores (CD8) – recebem este nome por serem responsáveis pela destruição de células anormais, infectadas ou estranhas ao organismo.

O sistema imunitário é composto por dois grupos de órgãos, os órgãos imunitários primários e os órgãos imunitários secundários. Os primeiros são assim denominados por serem os principais locais de formação e amadurecimento dos linfócitos. Já os segundos, são secundários por atuarem no sistema imunológico após a produção e amadurecimento dos linfócitos. Veja quais são os órgãos que compõem esses dois grupos:

Órgãos imunitários primários

Medula óssea – além da produção de células sanguíneas e plaquetas, a medula produz linfócitos B, linfócitos matadores. É nesse órgão que ocorre o processo de amadurecimento dos linfócitos B.

Timo – o timo é responsável por produzir linfócitos T maduros.

Órgãos imunitários secundários

Linfonodos – estão presentes nos vasos linfáticos; neles a linfa é filtrada, permitindo que partículas invasoras sejam fagocitadas pelos linfócitos ali presentes.

Tonsilas – possuem função semelhante aos linfonodos. Estão localizadas na parte posterior da boca e acima da garganta.

Baço – o baço filtra o sangue para remover microrganismos, substâncias estranhas e resíduos celulares, além de produzir linfócitos.

Adenoides – constituem de uma massa de tecidos linfoides protetores localizados no fundo da cavidade nasal. Têm como função ajudar a proteger o organismo de bactérias e vírus causadores de doenças transmitidas pelo ar.

Apêndice cecal – é uma pequena extensão tubular localizada no ceco, primeira porção do intestino grosso. Através da atuação das bactérias presentes nessa estrutura, microrganismos invasores são combatidos.

Sistema imunológico em ação

Um agente invasor, ao entrar no organismo, gera um mecanismo de defesa, a resposta imune. As substâncias invasoras são detectadas pelos macrófagos, que irão atuar em sua digestão parcial e na comunicação aos demais componentes do sistema imune da invasão sofrida, para que essas substâncias sejam totalmente destruídas e eliminadas. Após a atuação dos macrófagos, os linfócitos T auxiliadores entram em ação, ligando-se aos antígenos invasores. Este processo estimula a produção, pelos leucócitos, de compostos denominados interleucinas, que atuarão na ativação e estímulo para a produção de mais linfócitos T auxiliadores. Estes novos linfócitos intensificarão o combate aos antígenos e liberarão outros tipos de interleucinas, que estimularão a produção de linfócitos T matadores e linfócitos B. Depois de estimulados, estes linfócitos se multiplicam até que os antígenos sejam desativados e eliminados.

Parte dos linfócitos produzidos é armazenada, estes são um tipo de linfócito especial, denominados de células de memória. Estas guardam durante anos, ou pelo resto da vida, a capacidade de reconhecer agentes infecciosos com os quais o organismo já se deparou. Havendo um novo ataque por agentes conhecidos, as células de memória são estimuladas a se reproduzir, dando início ao processo de defesa do organismo, em um curto intervalo de tempo.

Somatotrofina

A somatotrofina (símbolo GH ou GHRH), também chamada de hormônio do crescimento, tem sua síntese produzida pela glândula adenoipófise, determinando o crescimento corporal a partir do desenvolvimento ósseo, cartilaginoso e muscular.

Atua principalmente sobre as epífises, regiões cartilaginosas da estrutura óssea com potencial de distensão, estimulando a multiplicação das células por divisão mitótica.

Essa substância produzida pelo organismo perdura até a puberdade, normalmente o período limite de crescimento.

Contudo, alterações drásticas de sua síntese causam sérios danos ao organismo. Na infância, quando em excesso, provoca o gigantismo, sendo a sua falta determinando o nanismo e, como consequência, retardo mental.

A síntese desse hormônio pode às vezes ser retomada durante a fase adulta, em indivíduos idosos, em razão da disfunção da glândula hipófise, porém não agindo na estatura e sim no crescimento das extremidades do corpo: dedos dos pés e das mãos, orelhas, cabeça e nariz, quadro clínico denominado de acromegalia.

Suor

O suor é um líquido inodoro produzido pelas glândulas sudoríparas que se localizam na derme. Ele tem a função de refrigerar o corpo.

O suor é um líquido produzido pelas glândulas sudoríparas que se localizam na derme. Em nosso corpo há cerca de dois milhões de glândulas sudoríparas distribuídas em todas as regiões, exceto nos mamilos, lábios e órgãos genitais, sendo que a maior parte delas se localiza no rosto, palma das mãos e planta dos pés. A glândula sudorípara possui uma parte espiralada onde o suor é produzido e um ducto longo liga a glândula à abertura ou ao poro, na superfície da pele. As células nervosas do sistema nervoso simpático se conectam às glândulas sudoríparas, que são classificadas como: glândulas écrinas e glândulas apócrinas.

As glândulas écrinas são encontradas em todo o corpo, mas principalmente na palma das mãos, planta dos pés e testa. São glândulas pequenas, ativas desde o nascimento da pessoa.

As glândulas apócrinas podem ser encontradas em todo o corpo, mas principalmente sob os braços (axilas), e na região genital-anal. Essas glândulas terminam em folículos capilares, e não em poros. São glândulas grandes que se tornam ativas somente na puberdade e são ricas em proteínas e ácidos graxos, que dão ao suor um aspecto espesso e amarelado. Isso justifica o aparecimento de manchas amareladas nas roupas, na região das axilas. Quando suamos, as bactérias presentes na pele começam a metabolizar as proteínas e os ácidos graxos presentes no suor, assim elas produzem substâncias que possuem um odor desagradável, como o ácido isovalérico e a androsterona.

A distribuição das glândulas apócrinas depende de características etárias e raciais. Em crianças, as glândulas apócrinas ainda não estão desenvolvidas, por isso o suor das crianças não tem mau cheiro como o dos adultos. Índios e pessoas de raça amarela possuem pequena quantidade de glândulas apócrinas, enquanto que europeus e negros possuem essas glândulas em grandes quantidades.

O suor é composto principalmente de água, mas podemos encontrar outras substâncias retiradas do sangue pelas glândulas sudoríparas, como ureia, ácido úrico e cloreto de sódio. Alguns alimentos e medicamentos, como alho, cebola, antibióticos, vitaminas e algumas toxinas, podem ser eliminados pelo suor.

O suor tem a função de refrigerar o corpo, de forma que ele não esquente muito. Suando, o nosso corpo se livra do excesso de calor produzido pelo metabolismo ou pelo esforço muscular. Quando fazemos algum esforço físico, a atividade muscular faz com que se produza muito calor e a temperatura do corpo aumente. Então, por meio do suor, o corpo consegue se resfriar reduzindo a temperatura, contribuindo para a manutenção da temperatura corporal. Alterações hormonais, como menopausa e doenças da tireoide; e emocionais (ansiedade, medo, dor), também influenciam na produção de suor. “Neuro-hormônios, como o cortisol, secretados em situações de estresse e ansiedade, interferem no funcionamento das glândulas sudoríparas écrinas e apócrinas, aumentando a transpiração, independente da temperatura externa”, explica a dermatologista Denise Steiner, presidente da Comissão de Ensino da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Regional de SP.

A hiper-hidrose localizada é a produção exagerada de suor nas palmas das mãos, plantas dos pés ou nas axilas. Na hiper-hidrose generalizada ocorre aumento da transpiração por todo o corpo. Ainda não se sabe ao certo a sua causa, mas é possível que ocorra em virtude de alguns fatores como desequilíbrios hormonais, problemas na tireoide e hiperatividade do sistema nervoso simpático. “É possível, ainda, ser consequência de doenças que ativam o sistema nervoso simpático (hipertensão, por exemplo) ou infecções, problemas pulmonares, cardíacos e metabólicos, como o diabetes”, explica Rogério Silicani Ribeiro, especialista em Endocrinologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e pós-graduando na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Em algumas doenças metabólicas, como o hipertireoidismo ou a hipoglicemia, a sudorese excessiva pode ser o único sintoma percebido pelo paciente”, completa Ribeiro.

Algumas medidas sugeridas por dermatologistas podem ajudar a resolver o problema da hiper-hidrose.

• Manter axilas e virilhas depiladas ajuda na evaporação do suor e impede o mau cheiro causado pelas bactérias;
• Preferir desodorantes à base de substâncias neutras;
• Fazer compressas com chá-preto auxilia na diminuição da sudorese, já que o chá contém ácido tânico, que desacelera a produção da glândula sudorípara;
• Desodorantes antiperspirantes reduzem a produção de suor em virtude da ação de compostos à base de alumínio;
• Se o que incomoda em seu suor é o odor, use desodorantes que contenham bactericidas em sua constituição.

Para algumas pessoas, essas medidas podem não resolver. Por isso, elas recorrem a métodos terapêuticos, como aplicações de toxina botulínica. Essa toxina age na produção de acetilcolina, um neurotransmissor utilizado pelo nosso organismo para acionar o mecanismo da transpiração. As aplicações são feitas por um médico dermatologista na camada superficial da pele e consistem em um tratamento sem contraindicações e sem efeitos colaterais, a não ser pequenos hematomas na pele. Os efeitos desse tratamento duram cerca de sete meses, sendo que, após esse prazo, devem-se fazer novas aplicações.

Tiroxina e Tri-iodotironina

A tiroxina (T3) e a tri-iodotironina (T4) são hormônios sintetizados pela glândula endócrina tireoidea, localizada na região anterior do pescoço lateralmente à laringe e à traqueia, tendo secreção regulada por estímulos tireoideoprópico (tireotrofina), produzida pela hipófise.

A disfunção na produção destas substâncias, além de manifestar deficiência visual, com projeção dos olhos saltando da órbita ocular (situação onde os olhos ficam arregalados), condição caracterizada por exoftalmia, também pode provocar a dilatação da glândula tireoidea, formando um “papo” no pescoço (bócio).

Quando em excesso, expressa um quadro clínico denominado de hipertireoidismo, apresentando os seguintes sintomas: ansiedade, cansaço ou insônia, tremores, aumento da sudação, falta de ar, diminuição de peso.

Quando insuficiente às necessidades metabólicas, configura um quadro de hipotireoidismo, sendo os sintomas: aparência apática, tendência a engordar, pele seca e escamosa, intolerância ao frio e cansaço excessivo.

Durante a infância, caso não seja detectada essa deficiência, o organismo pode apresentar um estado de retardo do crescimento e debilidade mental, condição conhecida por cretinismo.

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